ETERNA RITA LEE – Você fez um monte de gente feliz!
Rita Lee, uma das maiores cantoras e compositoras da história da nossa música, morreu, aos 75 anos, nesta segunda, 08 de maio. A rainha — sempre mutante — do rock deixa uma legião de fãs, seus ideais revolucionários e sua obra, atemporal.

Entre as décadas de 1960 e 1970, bem jovem, a “padroeira da liberdade” integrou o grupo de rock psicodélico Os Mutantes.

Em 1968, o grupo lançou o álbum “Tropicalia ou Panis et Circencis”, que reuniu Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, Nara Leão e Gal Costa, além dos poetas Torquato Neto e Capinam e o maestro vanguardista Rogério Duprat.
Sua irreverência a tornou conhecida como a rainha do rock brasileiro, apesar dela achar o termo cafona e preferir “padroeira da liberdade”. Rita sempre se mostrou uma artista à frente do seu tempo, com suas letras vanguardistas. Na canção “Ovelha Negra”, por exemplo, inspirou a luta pelo feminismo no país.
Uma das primeiras mulheres a tocar guitarra no palco, Rita Lee não economizou a potência do instrumento em “Agora Só Falta Você”, de 1975. No hit em questão, quem tocou o instrumento foi o guitarrista Luís Sérgio Carlini.

Em 2001, ganhou o Grammy Latino de Melhor Álbum de Rock em Língua Portuguesa. O “3001“, 29º álbum da carreira da ruiva foi definido por ela como “paz e amor pra nenhuma hippie como eu botar defeito!”

A emblemática música “Pagu” está presente neste álbum, “3001”, e é fruto (proibido rs) de uma parceria de milhões! A canção foi escrita e gravada com Zélia Duncan. As duas artistas sempre foram importantíssimas nas lutas pelos direitos das mulheres.
Rita reinou, também, nas aberturas das novelas. A cantora embalou os créditos iniciais de 9 tramas da TV Globo, sendo considerada a artista que mais tocou em aberturas.
- Em 1978, “Eu e meu gato” foi tema da novela O Pulo do Gato
- Em 1980, “Chega Mais” foi tema da novela homônima
- Em 1982, no escurinho do cinema tocava a música “Flagra”, tema de Final Feliz
- Em 1987, Rita Lee deu nova roupagem ao sucesso carnavalesco “Sassaricando“, tema da novela homônima
- Em 1990, “La Miranda” foi tema da novela Lua Cheia de Amor
- Em 1995, “Vítima” dava o tom de mistério à novela A Próxima Vítima
- Em 1997 “Dona Doida”, inspirada numa antiga marchinha de Carlos Galhardo, foi tema da novela Zazá
- Em 2010, no remake da novela ”Ti Ti Ti”, Rita Lee embalou a abertura com sua gravação original, de 1981.
- Em 2019, a belíssima “Minha Vida” foi tema da novela Espelho da Vida.
Além de todas estas novelas, Rita também emplacou “Cor de Rosa Choque” no programa TV Mulher, sucesso da década de 80.

Agora, uma curiosidade: você sabia que Rita Lee foi a primeira artista a dar um selinho em Hebe Camargo? SIM! A tradição da loira começou quando a ruiva “roubou” um beijo. Hebe logo entrou na brincadeira e falou “Meu namoro com o Lélio começou assim, ele me deu um beijo e eu gostei”. O selinho de Rita Lee em, 4 de agosto de 1997, foi o primeiro de centenas de beijos que a comunicadora passou a distribuir em seus convidados durante 15 anos.

Dona de inúmeros hits, a música mais tocada e regravada de Rita Lee é “Mania de Você”, de 1979. A canção, uma das mais icônicas de sua carreira, vendeu mais de 500 mil cópias e ganhou uma nova roupagem, em 2021, pelos irmãos Juiz-foranos dubdogz. CLIQUE AQUI PRA CONFERIR
A atemporal “Lança Perfume”, faixa-título do disco de 1980, vendeu mais 800 mil cópias no Brasil e no exterior.
Além de sua brilhante carreira na música, Rita Lee também se dedicou à literatura. Escreveu livros infantis baseados em histórias que contava aos filhos e, em 2016, lançou “Rita Lee: Uma Biografia“, que foi indicado ao Prêmio Jabuti. Recentemente, havia lançado “Rita Lee: Outra autobiografia“, que, segundo a cantora, é “um texto franco, ora cru e chocante, ora cheio de ironias” sobre suas reflexões tidas na pandemia e seu tratamento contra o câncer de pulmão.

Música boa é o que não falta na magistral obra de Rita Lee. “Amor e Sexo”, “Erva Venenosa”, “Ando Meio Desligado”, “Desculpe o Auê”, “Doce Vampiro”… Enfim, sua arte é eterna e nos ensinou que o lero-lero cansa, que o amor nos torna patéticos, que nem toda brasileira é bunda, que o sexo frágil não foge à luta e que não adianta chorar porque a mamãe não dá sobremesa.

OBRIGADA, RITA LEE. Você fez, sim, um monte de gente feliz!
