Você na Cidade

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Toque de recolher

Foto: Dudu Mazzei

Às nove da manhã, o sino do colégio onde eu estudava comunicava aos cerca de 3.000 alunos o horário do recreio. Rapidamente, a colônia de alunos transferia a atenção – até então voltada ao quadro-negro – para as canelas e descia as escadas que davam no pátio a uma velocidade de guepardo. Ali lanchavam a pipoca que aromatizava o quarteirão inteiro preparada pelo saudoso Raimundinho, socializavam com os colegas de outras turmas e séries e procuravam o crush entre os milhares de estudantes com o mesmo empenho juvenil dispensado a achar o Wally na série de livros Onde está Wally. Essa sequência de ações tinha de ser espremida em 20 minutos, como algumas cenas de filme que avançamos pelo controle remoto para elucidar depressa todos os mistérios da trama. Depois do breve repouso, novamente o sino soava; desta vez, decretando toque de recolher.

Durante toda a infância e adolescência, pensava eu ingenuamente que, terminada a fase escolar, jamais teria de passar por condicionamentos coletivos novamente. Duas décadas depois, eis que a pandemia do novo coronavírus me fez entrar em retiro compulsório – agora sem sino programado para chacoalhar anunciando minha soltura.

Quando tudo voltar ao (novo) normal, um efeito de barragem se rompendo vai acometer a maioria de nós:  vamos querer pular 10 carnavais no mesmo fevereiro; participar de uma procissão ou de um protesto com outras 58769846987 pessoas; andar sem pressa pelo comércio de produtos não essenciais, experimentando de tudo e não levando nada para casa. Afinal, a economia também se manteve recolhida: de um lado, as moedas ficaram represadas nos cofres de porquinhos dos vovozinhos e, do outro, transações comerciais tiveram de ser comprimidas nas mochilas cúbicas dos motoboys.

A cidade inteira, de repente, ganhou ares de maquete. Os imóveis foram todos evacuados, restando-lhes apenas a arquitetura. E a população adiou seus hábitos, de forma que até nossas roupas permanecem sem serventia no armário feito acervo de museu. Resta aguardar o chamado supersônico para nosso recreio mundial no passeio público (e que ele volte a ser público logo!).

Carolina Fellet

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