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A comunicação alternativa dos Punks

 

Por Gustavo Sabb

 

Em busca de uma alternativa para o sistema, com o princípio do faça você mesmo, o Punk consolida-se na Inglaterra na década de 70. O que parecia um movimento musical, aos poucos, foi se transformando em um ato político.

 

Os punks, com suas roupas agressivas, letras de protestos e muita “rebeldia”, denunciavam o caos da sociedade que na época estava mergulhada no desemprego e na decadência econômica.

 

Foto: Humberto Nicoline / Acervo: Tribuna de Minas

 

No Brasil, observa-se um cenário pré-punk no inicio dos anos 70, mais precisamente no bairro Vila Carolina, cidade de São Paulo. As bandas estadunidenses e inglesas tiveram uma forte influência na construção do movimento no país. Porém, só em 1978 que a primeira banda de punk é formada, Restos de Nada.

 

Logo em seguida, Brasília aderiu ao movimento. Por aqui, os protestos eram contra o regime militar, a repressão policial e o direito de expressão.

 

Para a jornalista Susana Reis, a contestação e o questionamento sempre estiveram atrelados ao movimento. “Quando chegou ao Brasil no final da década de 70, já era final da ditadura. No Brasil, o punk pegou a redemocratização. Eles participavam das passeatas e das diretas já”.

Com um movimento submerso na contracultura e sem capital, surgem as fanzines na década de 70 para driblar a censura e estabelecer uma comunicação direta com os adeptos ao movimento.

 

Logo, essas publicações tornam-se instrumento fundamental para espalhar os ideais do punk e divulgar novas bandas.

Mas a final, o que é uma fanzine?

 

O termo fanzine deriva da junção da palavra “fan”, que significa fã em português e “magazine”, traduzido como revista. Historicamente, as fanzines surgiram nos Estados Unidos no século XIX com o movimento literário.

 

Em 1930, os amantes de ficção científica também as aderiram. As características das fanzines são pautadas em uma publicação não oficial e não profissional, são produzidas por fãs de uma cultura e ou movimento para a distribuição àqueles que compartilham do mesmo interesse.

 

No cenário Punk, a primeira fanzine escrita foi ao som de Sex Pistols em 1976 na Inglaterra. Essa publicação tem o nome de Sniffin´Glue.

 

Imagem de internet

 

Em Juiz de Fora, acompanhando a cena punk nacional, as fanzines chegaram na década de 1980. Ao menos, quatro circulavam pela cidade: ‘’Alerta Punk’’, produzida por Virginia Loures, conhecida como Virgin Punk, ‘’Protesto Punk’’, por Lupídio, ‘’Informativo Punk’’, por Fernanda Tabet e “Aos Berros”, por Helton Anasio e Aécio Silva, conhecido por Tenente Laranja.

 

Com tiragem de 100 a 200 cópias e variando de tamanho, as fanzines falavam dos problemas sociais, de política, da cultura local – fazendo críticas baseadas em matéria de jornais e revistas, colando as mesmas ou apenas o título delas. Além das críticas, trazia letras de música, resenhas, e destacava as bandas locais e as demais bandas que faziam sucesso na época.

 

Fanzine: Aos berros. Acervo de Helton Anasio e Aécio Silva

 

Segundo o autor, André Carim de Oliveira, as fanzines brasileiras eram confeccionadas, em sua maioria, em Xerox, por ser um recurso de impressão barato e de fácil acesso. Sua distribuição acontecia em pequenas lojas e bancas que eram simpáticas ao movimento e através de shows e encontros punk.

 

 

O formato variava, assim como a tiragem. As revistas tinham o formato de uma folha dobrada ao meio e a tiragem poderia variar de 50, a 550 a 2.300. Quase a totalidade era datilografada em máquina de escrever e possuía uma linguagem coloquial, com erros de digitação, gramaticais e de ortografia, além de paginações desordenadas, o que indicava a necessidade de se publicar rapidamente o impresso.

Para obter acesso às informações do acervo e das histórias por trás desse movimento em Juiz de Fora, a Jornalista e Mestre em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora, Susana Reis teve um papel fundamental com sua colaboração, que também contou um pouco como foi à busca por esses arquivos (fanzines e imagens):

 

“Em Juiz de Fora, principalmente na parte de arquivos antigos de coisas independentes na federal, tem muito. Mas os jornais independentes têm muito pouco ainda, porque as bibliotecas têm dificuldades de armazenar esses arquivos. Os acervos são difíceis de conseguir. Já as fanzines, primeiro eu tive contato por meio de outra pesquisa de um jornalista, o Davi Ferreira. A partir dele, eu consegui alguns contatos, como o da Virgínia Loures e o Aecio Silva (tenente laranja). Ele foi a primeira pessoa que eu entrevistei. Depois dele, eu encontrei a Virginia. Ela tem um acervo gigantesco daqui de Juiz de fora. Ela tem fanzines, fotos e muita história. É uma questão de ir até a pessoa e ir buscar mesmo. É um trabalho jornalístico, de fato. Além dos arquivos físicos, eu tenho as entrevistas digitalizadas, gravadas. A ideia é essa: pegar esta memória e espalhar”, comenta.

 

Susana se interessou pelo tema quando era bolsista na UFJF, estudando sobre jornais alternativos da cidade, onde descobriu as fanzines – tema de sua tese no mestrado.

 

Fanzine: Alerta Punk. Arcervo de Vigínia Loures

 

Sobre a atualidade do movimento Punk, Susana aponta traços daquela contracultura que ainda se fazem presentes, como a anarquia. Ela ilustra isso no cenário atual do país:

 

“A anarquia pode ser utópica, mas sempre será recorrente na política. É a ideia de destruir tudo e buscar uma nova renovação, destruir para começar melhor”.

 

Para ela, o Punk faz sentido nos dias de hoje, uma vez que, ainda há opressão, pobreza e desigualdade de classes. “Era coisa que o punk lutava. Defendia os mais oprimidos. Era a ideologia deles. Quando você pega os punks de Juiz de Fora, você observa que todos eram classe média, mas que estavam todos insatisfeitos com o que eles viam. Ideologicamente, o punk ainda faz todo sentido”.

 

Fanzine: Alerta Punk. Arcervo de Vigínia Loures

 

Para conhecer mais o movimento punk, os problemas que a juventude passava e as bandas que eram sucesso na época, essas fanzines são um ótimo acervo de informação sobre o movimento punk de Juiz de Fora.

 

Fanzine: Alerta Punk. Arcervo de Vigínia Loures

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